quarta-feira, 17 de agosto de 2016

HAVERÁ SAÍDA PARA A CRIATURADA NO MARAJÓ VELHO DE GUERRA?






Começou a campanha eleitoral de 2016 para cargos eletivos de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores em 5.570 municípios brasileiros. 

Quais expectativas pode ter a gente marajoara, por acaso, expressamente citada pela Constituição do Estado do Pará como destinatária da Área de Proteção Ambiental do Arquipélago do Marajó (APA-Marajó), conforme Parágrafo 2º, VI, do Artigo 13; com relação ao resultado das urnas deste ano?

Eu acredito, sim, que em meio à crise global e nacional os eleitores da periferia da Periferia, apesar de tudo, serão capazes de separar o joio do trigo e começar a enxergar candidatos mais sinceros e aptos elegendo-os a empreender a construção solidária de Cidades Mais Humanas em nosso grande País. É uma utopia, é claro, porém realizável.

E a Criaturada grande de Dalcídio com isto? Está tomando pé da situação para vencer o analfabetismo e a pobreza extrema até 2030, se Deus quiser, como diz o caboco... 

Esta gente, historicamente lesada, depois que seus ancestrais na ilha do Marajó inventaram a primeira ecocivilização da Amazônia e a arte primeva do Brasil; está pouco a pouco se empoderando da própria identidade e recuperando a memória perdida. Por fim, creio que o povo marajoara não vai morrer na praia sem eira nem beira. 

Saindo da noite dos tempos pelo caminho da antiga Cultura Marajoara de 1600 anos de idade, após cinco mil anos de nomadismo nas terras baixas da América do Sul, o primeiro passo do bravo Povo Marajoara nesta longa caminhada de mil léguas foi, com certeza, a Paz de Mapuá (Breves) de 27 de Agosto de 1659, depois de aproximadamente 40 anos de guerra de resistência à conquista do rio das Amazonas pela aliança de armas, velas e remos entre a brava nação Tupinambá e o valoroso reino de Portugal debaixo do pendão da União Ibérica (1580-1640). 

Carece, então, ter isto bem vivo na memória da gente e no alto do primeiro capítulo de nossa História a fim de saber quem nós somos, donde viemos e aonde vamos a bordo do maior arquipélago fluviomarinho do planeta Terra, no delta-estuário do maior rio do mundo. Conscientes de que, primeiramente, conquistamos a nacionalidade brasileira com direito a ser de direito e de fato o caboco marajoara um cidadão planetário zelador de um patrimônio natural e cultural singular.

Todavia, a esperançosa Paz de Mapuá cedo foi rompida enquanto ainda se ensaiava os primeiros passos da nova sociedade pacificada nas aldeias de Aricará (Melgaço) e Aracaru (Portel) fraudada, violentamente, por colonos inconformados e seus caçadores de escravos rixentos envolvendo a Missão dos Jesuítas dirigida pelo Padre Antonio Vieira e toda Ilha dos Nheengaíbas antigamente povoada pelos Aruãs, Anajás, Mapuás, Pixi-Pixis, Guaianás, Cambocas, Mamaianás e outras nações de língua e cultura nuaruaque. 

Da ruína destas pazes e tragédia do padre grande Vieira processado, preso e condenado pela Inquisição em Portugal; deu-se o roubo da terra indígena e o escandaloso esbulho dos direitos humanos dos índios do Marajó, em 1665, para criação da capitania hereditária da Ilha Grande de Joanes doada ao secretário de estado do reino português, Antônio de Sousa de Macedo, patriarca dos Barões de Joanes e pai das sesmarias na ilha do Marajó.

No Século das Luzes (XVIII), a Europa entrava na era Moderna, mas as colônias - estado colônia do Grão-Pará e Maranhão, inclusive -, mergulhavam nas trevas mais densas do colonialismo. Espanha e Portugal negociavam os limites de suas fronteiras ultramarinas e a doutrina do uti possidetis real (Tratado de Madri de 1750 e de Santo Ildefonso de 1777), defendida pelo brasileiro Alexandre de Gusmão, reconhecia os direitos territoriais portugueses na Amazônia. 

A cabo de um período de hegemonia escolástica na conquista de corações e mentes bárbaras, 1615-1757; o iluminismo de déspotas supostamente esclarecidos entrava em conflito com a velha ordem estabelecida: surgia assim o Diretório dos Índios (1757-1798), onde os índios foram "extintos" por decreto para dar lugar aos "caboclos" quase civilizados...

É claro que a invenção da Amazônia portuguesa (1494-1823) com a correspondente construção do território, foi um longo e complexo processo de construção do território onde a hidrografia da região, populações indígenas, missionários, soldados e sertanistas tiveram papel indispensável. A costa-fronteira de Tordesilhas (1494) passava pelas ilhargas da ponta do Maguari (Soure) e o Itaguari (Ponta de Pedras), mas no fim da expansão territorial a Fronteira Norte foi parar lá nos contrafortes dos Andes, Alto Amazonas, e no Rio Negro junto ao canal de Cassiquiare varando já à bacia do Orenoco, caminho do Aruak que se espalhou no mundo, vinda até aqui criar família, pelo circum Caribe. 

É por isto que se diz que o Marajó é um mundo. Portanto, carece insistir sobre o ponto certo em que se deu a primeira ocupação real do espaço amazônico transtordesilhano para expulsão dos estrangeiros a partir da tomada de Gurupá (1623), a par da expedição do capitão Pedro Teixeira (1637-1639) a Quito (Equador), ida e volta, levado por 1200 tupinambás do Pará e mamelucos de Pernambuco... Até enfim chegar às pazes do rio dos Mapuás (1659), que precisa ser revitalizada na construção da ponte socioambiental da Agenda 2030.

Portanto, para o desenvolvimento humano deste povo creio no poder libertador da Educação tal qual a concebia o grande mestre pernambucano Paulo Freire. Mas eu não acredito que isto vá acontecer do dia pra noite, por caridade de um grande benfeitor da humanidade ou por mágica de um salvador da pátria. Somos todos nós juntos e misturados, cada um a fazer a sua parte, que podemos mudar a História ou conservá-la naquilo que precisa permanecer.

Eu acredito no povo que acredita em si mesmo. O povo humilde e trabalhador, camarada de seus semelhantes. Capaz de aprender a se defender defendendo a mãe natureza e a se organizar organizando a sociedade solidária. 

Afinal de contas, como tantos outros cabocos, sou um comunista marajoara nato, que sobreviveu em campo inimigo que nem judeu no cativeiro da Babilônia e as tribos perdidas da Dispersão... "Comunista marajoara" é todo aquele caboco ou aquela caboca que nunca leu nadinha de teoria, mas sabe desde criancinha que todos viventes do mundo são criaturas da fraternidade, irmãos planetários que nem o Sol e a Lua no canto santo de Francisco de Assis...

Eu acho, por experiência própria, que ter patrão não é vantagem pra nenhum caboco que vive com os pés no tijuco, ser patrão de pé enxuto também não: porque, afinal de contas para haver lucro no escambo, o sumano carece lograr os sumanos no apurado do trabalho. Respeito eu todas crenças e religiões, mas não pratico outra fé que não seja na vida eterna e no amor enquanto dura. Me desgosta quem faz religião ou militância por cálculo comercial ou político.

Em minha opinião eleição não é solução, mas a política pode atrasar ou adiantar a vida dos municípios. Sem política não há sociedade organizada. De qualquer maneira a prova real da democracia é no dia a dia com a participação da comunidade, orçamento participativo de fato, prestação de contas na boca do povo, às claras. Difícil praticar, mas não impossível.  




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Eu era um rapaz do interior batalhando para aprender a respeito de quem inventou o mundo assim tão desigual e a sobreviver na cidade grande. Agradeço à minha professora primária que me ensinou a ler e escrever. Foi assim que a leitura do romance "Marajó", de Dalcídio Jurandir, fez cair as minhas escamas dos olhos e completou-me a alfabetização política. Daí que já fui me saindo e acabei agarrando a chance de ser repórter no novato "Jornal do Dia", na capital paraense. 

Meu primeiro trabalho assinado na imprensa foi, por acaso, sobre o farol Itaguari (foto acima), na boca o rio Marajó, estava apagado e não era a primeira vez... Além disso, o risco da navegação noturna soma-se à progressiva inclinação da Coluna de alvenaria sobre a qual o farol de navegação do Rio Pará se assenta. A causa da inclinação da coluna, como se esta última fosse se tornar uma imitação barata da torre de Pisa à margem da baía; era a descontrolada extração de pedras em sua base para dar o pão de algumas pobres famílias de Ponta de Pedras.

O bisonho repórter entrava, então, a criticar a falta de empregos e investimentos na terra natal do autor de "Chove nos campos de Cachoeira". A metáfora da escuridão estava servida. Os leitores eram informados que Ponta de Pedras era um negócio de família como uma fazenda de qualquer sesmaria hereditária. Aquela modesta notícia num canto de página interna assanhou a rádio cipó desde a feira do Açaí em Belém até o bairro do Carnapijó, na velha Itaguari de minha avó. Foi também, por acaso, minha estreia em política, no ano cristão de 1961. 

De repente, sem mais nem menos, o caboquinho anônimo filho do humilde funcionário da prefeitura, despertava atenção na terrinha. Era alguém que escrevia em jornal... Veja só! Já um "jornalista", paresque? Quem dera! Mesmo assim recebi os primeiros cumprimentos e recados de ameaça: "não venha mais aqui, se não vai ver o que acontece"... Fui, vi e convenci que o feudo iria se acabar por bem ou por mal. Eu já falava em Reforma Agrária, aí que a coisa pegou tachando-me de perigoso "comunista"... Logo tive espaço no jornal para escrever e publicar uma curiosa série sob título "A face oculta do Ver O Peso", onde o repórter pretendia revelar ao bom leitor certos "segredos" do que transcorria, à luz do dia e de noite, em torno da maior feira aberta da cidade: desde famílias ribeirinhas no outro lado do rio vivendo da coleta do açaí, marreteiros, pescadores movidos pelo fumo da liamba para por peixe frito na mesa do freguês, atravessadores, canoeiros, feirantes, camelôs, casos de polícia, putas e mendingos...

Foi uma breve mas frutuosa experiência que me empurrou à aventura política, com uma candidatura quixotesca ao cargo de vice-prefeito. Perdi a eleição e o emprego no jornal que não me assinou carteira de trabalho nem garantiu-me o registro no Sindicato dos Jornalistas quando estive ausente. Em compensação, comecei por acaso a carreira de servidor público de que me orgulho chegando a servir em todos níveis da administração pública, inclusive no serviço exterior; onde me aposentei com 35 anos de serviço completo, em 1998, aos 61 anos de idade. Além do serviço público municipal e federal com que adquiri a aposentadoria e minha única fonte de renda atual, trabalhei mais oito anos na empresa de turismo do estado do Pará, perfazendo então o total de 43 anos de serviço público.

Claro está que caminhando, devagar, para a casa dos 80 anos de idade, não escrevo estas coisas para pedir emprego. Faço jus ao ócio. Porém, este é meu currículo, o que me anima a meter bedelho em governos alheios, mais a vida que levei pelo Marajó e o Baixo Amazonas, leituras mil mundo afora como rato de biblioteca, dois ensaios publicados com ajuda de amigos ("Novíssima Viagem Filosófica" e "Amazônia Latina e a Terra sem Mal"), outros ainda inéditos entre os quais a "Breve História da Amazônia Marajoara"... 

Não sou sabe tudo, Deus me livre. De verdade sou caboco que viu um pedaço do mundo, um goiada panema que por acaso, em 1956, com um camarada de mesma idade subiu e desceu o Arari até o Lago e o apurado da marretagem foi uma desconforme malária que levou tempo pra curar e afinal me empurrou mais depressa a morar na cidade grande procurando emprego com carteira assinada. A feira do Ver O Peso me é conhecida desde cedo e não é segredo que, lá passei uma chuva como feirante também... Alguma vez pernoitei na Doca em igarité chapada de paneiros de açaí, enrolado na vela molhada de chuva. 

De modo que, muito me honra falar em nome da Criaturada grande de Dalcídio e comprar briga, na boa, em defesa do Marajó velho de guerra na universidade da maré mais conhecida como a Academia do Peixe Frito. Escrevo estas linhas para todos e para ninguém, sempre esperando pelo dia que esta gente se levante para assumir melhor lugar ao sol: pois cada um tem o seu Marajó particular. São vários Marajós, meu Marajó é o centro do mundo. 

Eu acredito, sim, que o caboco marajoara é de direito um cidadão do planeta.






sábado, 13 de agosto de 2016

A GENTE FOI SE QUEIXAR AO BISPO


Dom Frei José Luis Azcona Hermoso OSA, Bispo Emérito da Prelazia do Marajó.

"O Movimento Direitos Humanos (MHuD) concedeu o prêmio João Canuto 2011 ao prelado agostiniano recoleto por denunciar corajosamente os casos de violação dos direitos humanos em se tratando das mulheres, das crianças e adolescentes da ilha de Marajó. José Luis Azcona está ameaçado de morte pelas máfias traficantes de pessoas, especialmente menores; pessoas que posteriormente são utilizadas como mercadoria sexual em países como Itália, Espanha, Suriname e Guaiana Francesa. O bispo de Marajó receberá o prêmio no dia 10 de novembro na Universidade Federal do Rio de Janeiro, junto com outros sete homenageados." (Wikipedia).




ENTRE PADRES E PAJÉS: 
UMA HISTÓRIA DA GENTE MARAJOARA



De tanto ver bater porta de palácio, repartição pública, fábrica e empresa na cara de caboco e preto; de tanto ouvir branco da terra escarnecer da miséria dos pobres, lhes dizendo 'vá se queixar ao bispo'; esta gente aprendeu o caminho das pedras e foi desfiar o rosário de suas mágoas não só a um, mas aos dois bispos do Marajó. Agora as súplicas e rogos dos lesados descendentes dos índios Nheengaíbas ganharam o mundo e chegaram até ao trono do Pescador que, por obra e graça do Divino Espírito Santo, é exercido na terra por Francisco, Bispo de Roma.

Poucos como o escritor agnóstico e comunista Dalcidio Jurandir e a sua fiel correspondente Maria de Belém Menezes, filha do poeta da Negritude e cooperativista anarquista Bruno de Menezes; enxergaram o inovador trabalho da Diocese de Ponta de Pedras com o Bispo diocesano Dom Angelo Rivatto SJ e sua "reforma agrária" pacífica e duas cooperativas kibutzianas, com estaleiro naval, olaria, marcenaria, centro de artesanato e mais de uma dezena de agrovilas. Aquilo sim, foi uma revolução socioambiental que ainda deixou sementes para germinar no amanhã. Pena que o sucesso social não tenha tido sustentabilidade econômica...

Como todo processo histórico em todo mundo, a igreja particular da Amazônia Marajoara, desde suas origens no século XVII; não ficou isenta de contradições dilacerantes. A cultura marajoara envolvente não se muda facilmente com bulas e sermões, ela é rica em dialética de luta e resistência desde tempos imemorias, como se pode depreender do esquema científico de fases arqueológicas da cerâmica. A invenção, no berço da Civilização Marajoara de mais de mil anos de idade; do ecomuseu do Arari, conhecido pelo nome social de O Nosso MUSEU DO MARAJÓ, pelo insubmisso padre Giovanni Gallo, é um fato histórico extraordinário, a par das cooperativas de Ponta de Pedras. 


A história acontece como tragédia e se repete como farsa. Aqueles que preferem a farsa para fugir da libertação dos povos, atacam o Papa latino-americano por causa da encíclica ecológica "Louvado Seja". Francisco revela no texto da sua carta circular, para cristãos e não-cristãos; especial atenção sobre a Amazônia e a bacia do Congo... Explica ele que a encíclica inspirada no Santo de Assis, antes de ser endereçada ao meio ambiente contempla a grave questão social de nosso tempo, no qual uma minoria de apenas 1% da população da Terra possui mais que os 99% restantes.

Quem me conhece sabe, como disse Jack Lang a meu respeito em reunião na reitoria da Universidade da Amazônia (UNAMA), no Natal de 2005, que a ilha do Marajó é o centro do mundo para mim. Portanto, todos que tratam bem a Criaturada grande de Dalcídio tem meu respeito.



no interflúvio Pará-Amazonas dos chamados Furos de Breves, imagem perturbadora captada pela rede árabe de televisão Al Jazeera, mostra cena do dia a dia de crianças ribeirinhas arriscando a vida nos barcos que cruzam o furo do Tajapuru.


A MISÉRIA E A MORTE NÃO PEDEM DESCULPA


Se na verdade Zeus não é pai dos deuses e homens, pelo menos o Homem criou deuses e a História, o que é quase a mesma coisa. De qualquer modo, a inevitável morte não é nada mais, nem nada menos que o outro lado da vida de todos viventes. Segundo o historiador José Honório Rodrigues, na "Teoria da História do Brasil", Deus e a História não são para os mortos: aos olhos do Eterno todos estão vivos e a História reside nas mãos das gerações, sempre presentes através do arco da memória.



Tais pensamentos vinham-me à lembrança quando das infindáveis discussões para elaborar o Plano de Desenvolvimento Territorial Sustentável do Arquipélago do Marajó (PLANO MARAJÓ), onde certa vez Dom José Luis perguntava onde está uma tal "Terra Indígena"citada nos esboços burocráticos vindos de Brasília. De repente, o bispo se dirige a mim para saber se ainda há índios no Marajó... Oportunidade para eu dizer: "ainda existem índios no Marajó, mas eles não sabem que são índios". 

333 anos depois do apocalipse previsto pelo padre grande para acontecer no ano de 1666; eis que a gente marajoara deu um pequeno grande passo, em 1999, rumo ao fim da história de pilhagem e humilhação da Criaturada; herdeira legítima da Cultura Marajoara arruinada pelo colonialismo, abandonada e amnesiada pela oligarquia dos donos do patrimônio histórico e artístico nacional. 

Pela primeira vez na Amazônia Marajoara, dois Bispos Católicos do maior arquipélago fluviomarinho do planeta publicaram juntos um alerta geral sobre a extrema pobreza das populações ribeirinhas. Nunca dantes a gentinha sem eira nem beira havia escutado falar em IDH: sem saber do que se trata, como 'havera' então de entender a razão pela qual a nossa querida Melgaço figura no rabo da cobra do desenvolvimento humano brasileiro? Por acaso ou Divina Providência, 356 anos depois do Padre Antonio Vieira ter fundado a aldeia de Aricará (vila de Melgaço em 1758) com índios nheengaíbas trazidos de Breves, conforme o acordo de paz de 27 de Agosto de 1659 do rio dos Mapuá; viu-se o professor Roberto Mangabeira, da Universidade de Havard; no cargo de ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos, da Presidência da República; atravessar o Parauhaú em lancha voadeira de Breves a Melgaço, ida e volta, para ver e escutar aquela gente descendente dos antigos Marajós.



De 1985 a 1995, a Pro-Reitoria de Extensão da Universidade Federal do Pará (UFPA), com base nos 'campi' de Breves e Soure, desenvolveu atividades de educação ambiental que a cada ano numa cidade diferente realizava um Encontro em Defesa do Marajó. No dia 20 de dezembro de 1994, na PROEX-UFPA no Campus do Guamá, foi criado o Grupo em Defesa do Marajó (GDM), que se encerrou em 2014, a fim de organizar o Décimo e último encontro anual e prosseguir em atividades permanentes. 



Desta maneira, o GDM realizou o último Encontro em Defesa do Marajó aberto em Belém a 28/04 e concluído em Ponta de Pedras entre 29-30/04/1995, donde saiu a Carta do Marajó-Açu reivindicando saúde pública integrada ao conhecimento tradicional de parteiras, rezadeiras e curadores. Educação ribeirinha com calendário escolar compatível a usos e costumes da agrocultura extrativista. Proteção aos sítios arqueológicos e difusão da arte cerâmica marajoara a par da implantação da área de proteção ambiental do arquipélago do Marajó, conforme o Art. 13, VI, Parágrafo 2º; dentre outras providências.


Deste então, a Carta do Marajó-Açu serviu de roteiro de militância do GDM durante vinte anos de sua existência. Como tal, tive a honra de assinar apresentação do documento dos Bispos do Marajó sobre o ínfimo IDH do povo marajoara. Documento de base para demanda à Presidência da República que resultou na organização do Grupo Executivo Interministerial de Acompanhamento de políticas públicas para o arquipélago do Marajó, em 2006, na Casa Civil da Presidência da Repúbllica. E, em 2007, o Plano de Desenvovimento Territorial lançado na cidade de Breves pelo Presidente Lula e a Governadora Ana Júlia.



O tempo da História, que nem o rio de Heráclito onde não se mergulha duas vezes, é muito lento. Já o tempo da Política é mais rápido do que o Diabo quando pisca um olho. Há então um enorme descompasso entre a política e a história, que entretanto se a gente não prestar atenção está fadada a se repetir infinitamente... Sobre a viagem do Professor Mangabeira a Melgaço, gostaria eu de saber o que lhe disse Dom José Luís ao ouvido sob olhares curiosos da prefeita de Ponta de Pedras e presidenta da Associação dos Municípios do Marajó, senhora Consuelo Castro, pós-graduada em agronomia, fazendeira e evangélica da Igreja Quadrangular presente à reunião. Sou grato à Consuelo por ter se lembrado de indicar o nome de Dalcídio Jurandir para denominar a escola estadual de segundo grau na terra natal do romancista. Assim como o auditório da Associação dos Municípios. Sou grato também a Dom Alessio Saccardo, Bispo Emérito da Diocese de Ponta de Pedras, pela amizade fraterna e disponibilidade em ouvir algumas vezes preocupações do militante marajoara agnóstico. 


Ao agradecer mais uma vez a Dom José Luiz, Bispo Emérito da Prelazia do Marajó, tenho na lembrança despedida em Soure após reunião inesperada -- no dia de Natal, em 2005 -- na Paróquia do Menino Jesus com Jack Lang, famoso ministro da Cultura francês, deputado nacional do Partido Socialista e hoje presidente do Instituto Árabe de Paris; professores, pescadores convidados... E Dom Azcona em gentil saudação a minha modesta pessoa de neto de imigrante galego, dando até logo, dizendo ele à porta do micro-ônibus "Varella, viva Galícia!". Agora o agostiniano da País Basco passa o báculo o descencente alemão nascido em Santa Catarina, no sul do Brasil, missionário em Angola, frade franciscano - a entrar em função no dia 27 vindouro, aos 357 anos da Paz de Mapuá... Dom Teodoro Mendes, padre espiritano nascido em Cabo Verde e missionário no Amazonas, já está pilotando a barca da Diocese de Ponta de Pedras. Que eu lhes poderia desejar?


Faz escuro mas eu canto, com o poeta manaura planetário Thiago de Mello. E com Chico Buarque, que igual a mim não crê, peço a Deus por minha gente, a gente humilde.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

O SONHO DA TERRA SEM MAL NÃO ACABOU






Sonhei um dia ainda jovem
como se eu estivesse na beira de um rio
tranquilo na tipacoema de maré cheia
a primeira manhã após
a primeira noite do mundo
me vi chegando à casa coletiva 
de meus antepassados
vinha eu paresque do fim do mundo
muito cansado depois duma longa viagem
a curiosidade do conhecimento
a saber quem inventou o mundo 
e o desejo de riqueza tal qual Marco Polo
me levaram longe pelos caminhos das Índias
em busca de aventura.

Sem rumo andei por terras estranhas
e naveguei mares nunca dantes
até me tornar amigo do rei do Congo
e conhecer as mulheres que me aceitaram
a compartilhar com elas
o prazer e a dor da vida
para criação de uma outra humanidade
a qual não há de conhecer

guerras
fomes
escravidão
doenças
velhice
mortes
mentiras

Então, a cabo daquela desconforme viagem
Me vi chegar por acaso ao porto do sítio antigo 
varando já para o terreiro dessa grande oca comunal
silenciosa e vazia, todavia cheia de recordações
de tantas vidas vividas.
Só e só a respirar aquele ar
eu sentia uma paz infinita
que nem um filho pródigo
em busca do tempo perdido
e juro que nunca fui tão feliz.

Vi o rio antigo levando índios sobre o dorso
que nem a Cobragrande Boiúna em sua sina
canoas mágicas indo por si para o centro da ilha 
grande como um planeta novo
entre o Sol poente e a Lua nova.
O remo encantado pingando água clara
entrando no mistério do rio
e o rio entranhando-se na alma da gente.















domingo, 31 de julho de 2016

CARTOGRAFIA SOCIOAMBIENTAL E NOMES DE LUGARES DO MARAJÓ


Rio Mapuá (Breves),  o "rio dos Mapuaises" segundo o padre Antônio Vieira (século XVII) -- Reserva Extrativista Mapuá (área federal na ilha do Marajó sob gestão do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), potencial para ser considerado Monumento Natural de relevante interesse etno-histórico).


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A Reserva Extrativista é uma área utilizada por populações extrativistas tradicionais, cuja subsistência baseia-se no extrativismo e, complementarmente, na agricultura de subsistência e na criação de animais de pequeno porte, e tem como objetivos básicos proteger os meios de vida e a cultura dessas populações, e assegurar o uso sustentável dos recursos naturais da unidade. É de domínio público, com uso concedido às populações extrativistas tradicionais, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites devem ser desapropriadas, de acordo com o que dispõe a lei.
A Reserva Extrativista será gerida por um Conselho Deliberativo, presidido pelo órgão responsável por sua administração e constituído por representantes de órgãos públicos, de organizações da sociedade civil e das populações tradicionais residentes na área, conforme se dispuser em regulamento e no ato de criação da unidade. A visitação pública é permitida, desde que compatível com os interesses locais e de acordo com o disposto no Plano de Manejo da área. A pesquisa científica é permitida e incentivada, sujeitando-se à prévia autorização do órgão responsável pela administração da unidade, às condições e restrições por este estabelecidas e às normas previstas em regulamento.

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COMO A GENTE MARAJOARA HÁ DE TER EXPRESSÃO NACIONAL E INTERNACIONAL

Não existe dúvida de que falta vontade política ao Governo Federal no sentido da proteção e promoção da Cultura Marajoara pré-colombiana como patrimônio nacional, como também ao Estado do Pará a fim de concluir estudos ou levantamento de dados, que nunca acabam e -- enfim! --, apresentar o bendito projeto estadual de candidatura da Reserva da Biosfera Marajó-Amazônia, iniciados entre 2007 e 2010, em atendimento à demanda da comunidade através da Carta de Muaná de 08/10/2003, durante a reunião regional preparatória à I Conferência Nacional de Meio Ambiente.

A história desta demanda -- somente para fazer chegar a dita carta entre Marajó e Belém, e depois daí até Brasília --, é uma novela com paladinos e vilões. Entretanto, se acrescentar os antecedentes desde a Constituinte de 1989, que inscreveu a Área de Proteção Ambiental do Arquipélago do Marajó (APA-Marajó) na constituição estadual (Artigo 13, VI, Parágrafo 2º), já teríamos então um romance e tanto. Para ter uma ideia, somente depois de 27 anos é que se começou a organizar o comitê gestor da APA que, entre outras funções em parceria com a comunidade, poderia mobilizar as populações dos dezesseis municípios na preparação da candidatura da Reserva da Biosfera conforme recomenda a Comissão Brasileira do programa Homem e Biosfera (MaB), da UNESCO, responsável pela lista mundial de reservas da biosfera.

É verdade que as RB's brasileiras (Mata Atlântica, Pantanal, Caatinga, Cerrado, Serra do Espinhaço e Amazônia Central) embora cartograficamente ambiciosas com biomas que somam cerca da metade do território coberto pelo MaB em todo mundo; ainda tem uma prática periclitante que não contribui para melhorar a imagem do Brasil com fama de país do "jeitinho" e falta de seriedade.

Então, a que propósito a RB do Marajó? Em primeiro lugar, tecnicamente APA não difere de RB, exceto pelo fato de ser esta uma modalidade internacional de unidade de conservação prevista na legislação nacional (o SNUC). Desta maneira, a fachada marítima da Fronteira Norte poderia receber cooperação externa multilateral com ampla transparência e controle das autoridades brasileiras. Suspeitas recorrentes sobre ONG's estrangeiras e envolvimento de nacionais em atividades ilícitas atuando na Amazônia poderiam ser esclarecidas e as populações ribeirinhas melhor preparadas para ser elas mesmas vigilantes da soberania do Brasil.

Brasília não conhece a Amazônia brasileira, noves fora raros especialistas quase desconhecidos na região. Por outra parte, Belém do Pará cresceu de costas para o rio e nem desconfia que entre a população suburbana e dos entornos da Capital há, talvez, tantos ou mais marajoaras quantos os habitantes dos dezesseis municípios do Marajó: a organização social, econômica e ambiental do Povo Marajoara como ele tem direito e enunciado no inacabado Plano de Desenvolvimento Territorial Sustentável do Arquipélago do Marajó (PLANO MARAJÓ), incluindo o programa Territórios da Cidadania - Marajó e o Projeto NOSSA VÁRZEA de regularização fundiária --,  daria ao Brasil 1.000.000 de brasileiros vigilantes, participativos e criativos, livres do analfabetismo e do ínfimo IDH. Este conjunto de ações seriam suficientes para cumprimento da Agenda 2030 para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), caso o pacto federativo deixasse de ser uma quimera na parte em que diz respeito a esta gente ribeirinha deixada à margem da história desde os inícios da Colonização, no século XVII.

Com a indispensável participação e integração dos municípios marajoaras, coletivamente organizados em Consórcio Intermunicipal (incluindo prefeitos, vereadores e representantes das comunidades municipais eleitos periodicamente em consulta pública) na gestão conjunta da APA e RB do Marajó; a complexidade do golfão Marajoara e da mesorregião do Marajó (525.317 mil habitantes (2014), território federativo de 104.140 km²), conforme dispositivo da Constituição do Estado do Pará supracitado; estaria atualizado não importa qual tenha sido a intenção do deputado constituinte há 27 anos passados. O chamado "jabuti" no jargão legislativo passaria a ser visto com o instrumento legal geoestratégico que a região do delta-estuário Pará-Amazonas reclama desde sempre.

Poucos habitantes do Marajó conhecem suficientemente as três microrregiões Arari, Breves e Portel. Cada um dos municípios é um pequeno Marajó que não conhece completamente o "país" que é o grande Marajó, berço da milenar Civilização Marajoara.  A maior parte de moradores das cidades marajoaras não conhece a vida de seus conterrâneos que sobrevivem penosamente no interior do próprio município em áreas de campo, mata, rios, igarapés e lagos dentre cerca de 2000 ilhas e uma vasta porção continental (microrregião de Portel). Enfim, com a instalação efetiva da APA concomitante à preparação da Reserva da Biosfera, as populações tradicionais do maior arquipélago fluviomarinho do planeta, no delta-estuário do maior rio do mundo; poderiam dispor no âmbito do MaB/UNESCO de uma Cartografia Socioambiental "ad hoc", elaborada e atualizada continuamente em participação com com as comunidades locais como base de reconhecimento e empoderamento do território.



O NOME DOS LUGARES TEM A MEMÓRIA DA TERRA



Começa pelo próprio nome Marajó. Quem pela primeira vez usou este nome? Que quer dizer? É nome da ilha ou nome do habitante das ilhas? Certamente, não foram os antigos "índios" da ilha que deram este nome. Segundo o espanhol Pinzón (1500) os índios que ele capturou diziam que a ilha se chamava Marinatambalo... Admite-se que os "negros da terra" levados pelo piloto de Colombo poderiam ser Aruãs. Segundo a arqueologia marajoara, os Aruãs foram criadores da última fase ceramista, aparecem vestígios desta cultura desde 1300 até fins do século XIX, quando eles foram dados como extintos. Segundo Ferreira Pena, os Aruãs chamavam Analau Yohynkaku à ilha grande. 

Outros nomes da famosa ilha foram dados por estranhos a ela: Ilha dos Nheengaíbas.... Ilha dos Aruans.... Ilha Grande de Joanes... Marajó... Tais nomes adotados pelos portugueses e registrados na crônica colonial são, com certeza, a marca dos conquistadores Tupinambá aliados aos soldados, missionários e colonos.

Até hoje não se sabe exatamente quantas comunidades locais há na região do Marajó. Estimam-se em, aproximadamente, 500 localidades espalhadas na teia de rios e caminhos de terra. Qual o significado do nome de cada lugar? Que história os próprios moradores desses lugares sabem contar sobre suas comunidades? Como localizar e descrever a geografia local? Que a metodologia de cartografia socioambiental pode auxiliar a responder estas perguntas? Aqui se trata de algo menos que um esboço. Acho que as prefeituras poderiam coordenar as informações sob orientação da Associação dos Municípios em parceria com universidades em atuação na região. Não existe mistério, o que há é desinteresse e falta de espírito comunitário.

onomásticaato de nomear, dar nome; não é bicho de sete cabeças, só o título em grego é complicado. Trata-se simplesmente do estudo dos nomes próprios de todos os gêneros, das suas origens e dos processos de denominação no âmbito de uma ou mais línguas ou dialetos. Nasceu na metade do século XIX, considerada como parte da linguística, com ligações com a história e a geografia.



EXERCÍCIO TOPONÍMICO À DISTÂNCIA

Pelo Facebook o amigo professor Edne Maués disponibilizou uma fotografia feito por dispositivo celular móvel, onde aparece cena na comunidade de Japuíra (Cachoeira do Arari). Curioso em aprender, eu perguntei onde se localiza esse lugar. Seguiu-se um diálogo interessante como ponto de partida para envolver na "conversa" outros amigos a seguir e este artigo.
Comentários
Edne Maués Essa é a terra onde moram meus pais, lá temos a Festividade do Divino Espírito Santo, a terceira maior festa de santo de Cachoeira do Arari, o Santo pertencia a Feliciano Veríssimo, meu bisavô. A comunidade fica no ramal do Bacuri, de lá chegamos em Aranaí, Chipaiá, Urubuquara, Anuerá, Guajará, Mata Fome, Furo Grande, Açaí, José Joaquim e Caracará. Em Cachoeira ainda temos as vilas de Retiro Grande, Jaboti, Jará, Jauacá, Sé, Bacuri, Soledade, Gurupá, Baixo Arari, Umarizal, Camará, Camaraú, Boca pequena, Diamantina, São Miguel, Urubu, Recreio, Japum (onde mora D. Teodora, sexta mulher mais velha do Mundo), Marajateua, posso ter esquecido de alguma.

José Marajó Varella Edne Maués olha aí... Eu me lembrei do nome de algumas comunidades do município de Ponta de Pedras: Mangabeira, Praia Grande, Paricatuba, Bacabal, Urinduba, Araraiana, Paruru, Anajás, Lavrado, Baixo Arari, Porto Santo, Crairu, Santana, Tartarugueiro, Jaguarajó, Ipauçu, Laranjeiras, Curral Panema, Marajó-Ité, Fortaleza, Tijucaquara ... 



Agostinho Quintino Batista nos limites dos quatros municípios Ponta de pedra, Boavista, Muaná, Anajás onde os seringueiros não tinha nome, nos anos 50, era apelido, mas foi este povo que deu nome os lugares, saparara, trisidela, varado, espera grande, gangurra, tapira, samauma, as cutias, ponta serrada, japucu, roda, pata larga, mutum, pimenta, barreiro, flores, jesuino, pau de rosa, aldeia, quinco, e outros, muito destes nomes era indígenas

José Marajó Varella Obrigado Mestre Agostinho Quintino Batista vamos em frente descobrir os nomes de lugares do nosso velho Marajó, antes que fiquem esquecidos e estrangeirados.

José Marajó Varella diga lá mestre Celio Barros Celio Barros a toponímia de Breves.

Celio Barros Celio Barros Boca de Breves, caruaca, arapijo, Santo Amaro, furo do abacati, siriri, furo de Breves, oleria, mearim, corcovado, são José do tajapuru, Santa Cruz, Antônio lemos, curumu, Liverpool, baiano do gabaia, Porto cacique, são Miguel dos macacos, taujuri, m...Ver mais

Celio Barros Celio Barros Tauracu, urubu, angelim, ajara, jepuuba, macaquinho, puxador, tamandua, arama, aturia, batata, tanbururi, saracura, carapana branco, compania, matunin, beija flor, Ilha comprida, majoim, jupatituba, jaburu, Jacaré grande, jacarezinho, arozal, três bocas, tucupi, Rio jai, Rio rapariga.

José Marajó Varella Obrigado mestre Celio Barros Celio Barros vamos cutucar nossos amigos dos mais municípios para contribuir...

José Marajó Varella Celio Barros Celio Barros uma vez fui ao Mapuá levado pelo vereador Camilo Gonçalves e subimos até o Braço Esquerdo do Mapuá, vi várias comunidades no curso do rio.

Celio Barros Celio Barros Isso mesmo. Canta galo, Santa Maria, cumaru, Vila Amélia, Bom Jesus.

Agostinho Quintino Batista estes nomes foi dados pelo chefe Mumuna o mumua no inicio da guerra dos cabano, ( conto de Antônio Tavares ) as margens do rio mumuna era a aldeias nos anos 50 inda tinha marcas, Tapiíra, gurupá, parita, tapuru-quara, jandia, esteio grosso, onde morou o cabano ximangue

Agostinho Quintino Batista no inicio da guerra dos cabanos mumua foi morto pelos legais,

Edne Maués onde fica Japuira no município de Cachoeira Ilha de Marajó? Olha o rosto desse curumim marajoara... Ele tem direito de saber que somos -- com muito orgulho -- descendentes de índios ...